Resumo. O CIVITO mantém uma leitura contínua e automatizada das fontes públicas oficiais brasileiras, cobrindo os 5.570 municípios e as 27 unidades federativas. Este estudo documenta a arquitetura dessa leitura, a cobertura medida no momento do seu acesso e — com o mesmo destaque — os limites do que a plataforma ainda não alcança.
1. O problema
O Estado brasileiro publica um volume extraordinário de dados: censo, saúde, educação, finanças públicas, compras, justiça, ambiente. Mas esse patrimônio está espalhado por dezenas de sistemas que não conversam entre si, em formatos distintos e com defasagens diferentes. Para uma prefeitura pequena, cruzar três dessas fontes já é um projeto; para o cidadão, é invisível. A pergunta que orienta a plataforma é simples: e se alguém lesse tudo isso continuamente, e devolvesse como decisão?
2. A arquitetura da leitura contínua
A plataforma opera em quatro camadas:
- Agentes de dados — 140 serviços especializados, cada um dedicado a uma família de fontes oficiais (IBGE, DATASUS, PNCP, INEP, SICONFI, TSE, ANATEL, ONS, entre outras), com coleta agendada e verificação de saúde automática. 31deles são habilitadores transversais: grafo, descoberta de oportunidades, captação, infraestrutura de conhecimento.
- Grafo de Conhecimento Cívico — as leituras convergem para um grafo que liga entidades (municípios, órgãos, programas, indicadores) e permite atravessar o que antes exigia consultar sistemas isolados.
- Lentes de análise — quatro perspectivas complementares (sistemas e integridade; equidade e pessoas; sustentabilidade e território; patrimônio e conhecimento) que organizam agentes e respostas.
- Superfícies — o chat (Ágora), os recortes por município, o feed cívico por cidade e as APIs abertas.
3. Cobertura medida — agora
Os números abaixo não são de material de marketing: são lidos da telemetria da plataforma no momento em que esta página é servida.
| Indicador | Valor | Fonte da medição |
|---|---|---|
| Agentes de dados oficiais | 140 | Registro de agentes no disco (agent.json) |
| Serviços monitorados no relatório de saúde | 151 (147 saudáveis) | Harness de verificação da plataforma |
| Agentes com coleta nas últimas 24 h | 37 | Frescor por agente (harness) |
| Municípios cobertos pela leitura | 5.570 | Malha municipal IBGE 2022 |
| Nós no grafo de conhecimento | 3,07 milhões | CKG /health, ao vivo |
| Conexões (arestas) no grafo | 4,02 milhões | CKG /health, ao vivo |
| Cidades com feed cívico ativo | 249 | API pública /api/feed-entidades |
| Universidades com feed | 3 | API pública /api/feed-entidades |
4. O contrato epistêmico
Cada resposta da plataforma obedece a três marcações: [D] dado (fato com fonte oficial citada), [INF] inferência (leitura derivada, com método declarado) e ⌖ lacuna (onde a fonte não cobre, o vão é dito). A qualidade é testada por gabaritos de correção numérica e por exercícios adversariais — incluindo salvaguardas eleitorais ativas — executados a cada mudança relevante da persona.
5. Limites declarados
- Defasagem das fontes. A plataforma lê continuamente, mas cada fonte tem o seu ritmo: censo é decenal, RAIS/CEMPRE anuais, alguns painéis mensais. O carimbo de data acompanha cada número.
- Cobertura desigual. Nem toda fonte desce ao município; onde a menor unidade é a região ou o estado, a leitura municipal é sinalizada como aproximação.
- Feed em expansão. O feed editorial cobre hoje 249 cidades — qualquer município pode ser ativado sob demanda, mas não fingimos que os 5.570 já têm jornal.
- Sem dado individual. Por desenho, a plataforma não lê nem infere sobre pessoas — apenas território e agregados.
6. Reuso e verificação
As APIs que alimentam este estudo são públicas e estão documentadas em civito.com.br/desenvolvedores. Qualquer leitor pode refazer as medições desta página — é assim que preferimos ser citados: conferidos.